Encontrei este video no blog do meu amigo Gustavo, portanto, este vídeo é um retrato da Teologia da Prosperidade. Deus ajude o Brasil! Então, leiam no meu blog "Aí de voçes, ricos! Deus ouviu o grito dos pobres!
26 de março de 2011
25 de março de 2011
A EXEGESE BÍBLICA - 1ª PARTE
I – Interpretação Crítica
A interpretação crítica da Sagrada Escritura é chamada também de interpretação científica ou exegese crítica ou exegese racional.
Esta exegese é uma verdadeira ciência histórico-literária que estuda ou um texto partícula, ou todo o livro, ou toda a obra literária do autor, tratando de expor toda a sua mentalidade na multiplicidade e complexidade da suas idéias, por intermédio de uma determinada sistematização.
O objetivo desta interpretação científica é descobrir o sentido primeiro que o texto quis e expressou, e a assim conhecer seu modo de pensar e o que pretendeu comunicar ao escrever o livro.
A luz sob a qual se desenvolve esta exegese crítica é a luz da razão humana, com todas as suas faculdades e operações: o entendimento, a memória, a imaginação, a sensibilidade; a indução, a dedução, o raciocínio.
Além disso, sendo esta exegese uma ciência histórico-literária, servir-se-á de todos os meios que se empregam para determinar o sentido de um texto, quais sejam: a crítica textual, a crítica literária e a crítica histórica.
Fonte: Alday, Salvador Carrillo. Bíblia: como se lê. 2ª Ed. São Paulo: Editora Ave-Maria, 1998.
24 de março de 2011
Aí de voçes, ricos! Deus ouviu o grito dos pobres!
por Fernando de Oliveira
INTRODUÇÃO
O livro de Tiago é, na melhor das hipóteses, o resgate da mensagem do Evangelho. Haja vista que, Tiago tem paralelo com os Evangelhos Sinóticos, e reproduz uma quantidade substancial dos ensinamentos práticos de Jesus. Cf. (Tg 2,8) e (Mt 19,19). Ambos dizem: “ame seu próximo como a si mesmo”.
É exatamente por essa exortação referente ao ‘rico’ e o ‘pobre’ que nesta produção textual será evidenciado a preferência de Jesus pelos pobres. Não que Ele desconsiderasse os ricos; pois se sabe que Ele escolheu Zaqueu (Lc 19) e o mesmo partilhou seus bens com os pobres. Mas Jesus escolheu/optou pelos pobres! Segundo David Rubens (2007, p.6) afirma: “Jesus amou os pobres, e atacou os causadores da pobreza e da marginalização. Jesus foi um homem que exigiu justiça. Certamente não odiou os ricos, mas preferiu os pobres e optou por eles”. [1]
Tiago torna-se relevante por produzir naquela comunidade cristã o que estava faltando, a compaixão pelos pobres. Sem distinção de classe social. De modo que a relação que ele tem com a Lei é, no sentido de nomoς = “a parte ética da lei mosaico”, [2] por isso a aparente contradição entre Paulo e Tiago. Mas na verdade tanto um quanto o outro prezam pela a Lei do amor. Tiago não anula Paulo. Ainda que a Igreja a qual ele destine a carta tenha um caráter paulinista (Tg 2,24). A Edição Pastoral da Bíblia comenta que:
Ao falar de prática da Lei, Paulo afirma que nenhuma observância as regras pode levar a salvação, e que a fé é o princípio de toda vida cristã. Tiago, por sua vez, salienta que a fé se traduz no amor, e este realiza atos concretos. Paulo diz a mesma coisa: “a fé age por meio do amor” (Gl 5,6). [3]
Desse modo, o texto áureo a ser utilizado na composição do trabalho será (Tg 2, 1-26 e 5, 1-6). Similarmente expressão a intenção intrínseca do autor em mostrar que Deus prefere os pobres e faz sevaras repreensões aos ricos.
Em resumo, pode-se dizer que ao fazer um contraponto entre Tiago e a situação dos menos favorecidos da América Latina, em especial no Brasil. Nota-se a impunidade das estruturas sociais, principalmente nas regiões periféricas deste país. Ainda que o menos favorecido tenha saltado para uma condição de consumidor, eles continuam sendo oprimido pelo Capitalismo. E, as Instituições Religiosas (Católica, Tradicional, Pentecostal, Neopentecostal e outros seguimentos religiosos) tomaram o mesmo rumo de uma sociedade injusta e capitalista.
AÍ DE VOÇES, RICOS! DEUS OUVIU O GRITO DOS POBRES!
O faraó está mais vivo do que nunca, controla a América Latina e enriquece, empobrecendo nossos povos. Os pobres gritam e Deus escuta o seu clamor. [4]
Tiago
2.1 Meus irmãos, vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas.
2.1 Meus irmãos, vocês que crêem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas.
2.2 Por exemplo, entra na reunião de vocês um homem com anéis de ouro e bem vestido, e entra também outro, pobre e vestindo roupas velhas.
2.3 Digamos que vocês tratam melhor o que está bem vestido e dizem: “Este é o melhor lugar; sente-se aqui”, mas dizem ao pobre: “Fique de pé” ou “Sente-se aí no chão, perto dos meus pés.”
2.4 Nesse caso vocês estão fazendo diferença entre vocês mesmos e estão se baseando em maus motivos para julgar o valor dos outros.
2.5 Escutem, meus queridos irmãos! Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé e para possuírem o Reino que ele prometeu aos que o amam.
2.6 No entanto, vocês desprezam os pobres. Por acaso, não são os ricos que exploram vocês e os arrastam para serem julgados nos tribunais?
2.7 São eles que falam mal do bom nome que Deus deu a vocês.
2.8 Se vocês obedecerem à lei do Reino, estarão fazendo o que devem, pois nas Escrituras Sagradas está escrito: “Ame os outros como você ama a você mesmo.”
2.9 Mas, se vocês tratam as pessoas pela aparência, estão pecando, e a lei os condena como culpados.
2.10 Porque quem quebra um só mandamento da lei é culpado de quebrar todos.
2.11 Pois o mesmo que disse: “Não cometa adultério” também disse: “Não mate”. Mesmo que você não cometa adultério, será culpado de quebrar a lei se matar.
2.12 Falem e vivam como pessoas que serão julgadas pela lei que nos dá a liberdade.
2.13 Quando Deus julgar, não terá misericórdia das pessoas que não tiveram misericórdia dos outros. Mas as pessoas que tiveram misericórdia dos outros não serão condenadas no Dia do Juízo Final.
2.14 Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo?
2.15 Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer.
2.16 Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.”
2.17 Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta.
2.18 Mas alguém poderá dizer: “Você tem fé, e eu tenho ações.” E eu respondo: “Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.”
2.19 Você crê que há somente um Deus? Ótimo! Os demônios também crêem e tremem de medo.
2.20 Seu tolo! Vou provar-lhe que a fé sem ações não vale nada.
2.21 Como é que o nosso antepassado Abraão foi aceito por Deus? Foi pelo que fez quando ofereceu o seu filho Isaque sobre o altar.
2.22 Veja como a sua fé e as suas ações agiram juntas. Por meio das suas ações, a sua fé se tornou completa.
2.23 Assim aconteceu o que as Escrituras Sagradas dizem: “Abraão creu em Deus, e por isso Deus o aceitou.” E Abraão foi chamado de “amigo de Deus”.
2.24 Assim, vocês vêem que a pessoa é aceita por Deus por meio das suas ações e não somente pela fé.
2.25 Foi o que aconteceu com a prostituta Raabe, quando hospedou os espiões israelitas e os ajudou a sair da cidade por outro caminho. Deus a aceitou pelo que ela fez.
2.26 Portanto, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem ações está morta. [5]
Tiago
5.1 Agora, ricos, escutem! Chorem e gritem pelas desgraças que vocês vão sofrer!
5.1 Agora, ricos, escutem! Chorem e gritem pelas desgraças que vocês vão sofrer!
5.2 As suas riquezas estão podres, e as suas roupas finas estão comidas pelas traças.
5.3 O seu ouro e a sua prata estão cobertos de ferrugem, e essa ferrugem será testemunha contra vocês e, como fogo, comerá o corpo de vocês. Nestes últimos tempos vocês têm amontoado riquezas
5.4 e não têm pago os salários das pessoas que trabalham nos seus campos. Escutem as suas reclamações! Os gritos dos que trabalham nas colheitas têm chegado até os ouvidos de Deus, o Senhor Todo-Poderoso.
5.5 Vocês têm tido uma vida de luxo e prazeres aqui na terra e estão gordos como gado pronto para o matadouro.
5.6 Vocês têm condenado e matado os inocentes, e eles não podem fazer nada contra vocês. [6]
Jesus expressa claramente a impossibilidade de servir a dois senhores. Ou seja, a decisão deve ser radical ou você escolhe ao Deus da vida ou se devota a Mamom (Mt 6, 24). Assim, o apego ao dinheiro mostra o caminho de ruína que uma sociedade/igreja/pessoa pode cair ao escolher as riquezas (Tm 6, 6-10). Assim, todos devem decidir se querem prender o coração em Deus ou nos bens materiais.
Desse modo, o destino do dinheiro em uma sociedade/igreja/pessoa é de cumprir a função social a qual foi destinado, como: qualidade de vida, habitação, educação, lazer, alimentação etc.
Agora, os lideres das Igrejas Evangélicas, principalmente as Neopentecostais, criaram um ‘Novo Dogma’ a ‘Igreja Cristã do Mercado da Fé’. A Igreja atual convive dentro de um ambiente mercadológico. Na qual a função do líder é produzir pessoas consumistas e ao mesmo tempo miseráveis (pobres). Por conta da exploração da fé.
Eles estão se distanciando de tudo aquilo que se conhece sobre o paradigma de igreja deixado por Jesus. Comunidade cujo alvo é amor, justiça e humanidade. O ambiente religioso virou um santuário do mercado econômico. E, certamente, quem sofre com isso é o povo! Neste caso, os fiéis são apenas objeto de manipulação dos mega- empresário-evangélicos para ascensão social do líder da denominação religiosa.
Eles constroem impérios com o dinheiro do trabalhador (pobre). Possuem Emissoras de TV, Folha diária, Emissoras de rádio, Franquias da denominação, Jatos (aviões), mansões, carros importados, mega igrejas etc. Enquanto, o fiel está entregando o único dinheiro que o resta, na esperança de, quem sabe, arrumar um emprego ou até mesmo ser curado de uma enfermidade.
Um outro exemplo, é que na periferia paulistana, com a falta de acesso ao conhecimento a política institucional tripudia sobre o pobre que morra em bairros mais afastados do centro. A única coisa que resta então para o fiel ou visitante é a igreja evangélica ou outro segmento religioso, durante a noite, após um penoso dia de trabalho.
Posteriormente, na capital paulista não é diferente para o restante da população. Os paulistanos da periferia têm que conviver com a falta de acesso ao conhecimento. Enquanto, a política pública poderia esta resolvendo o problema da falta de informação, cultura, e educação de qualidade, que levasse os munícipes a se promoverem em sua auto-transcendência, ou seja, romper os limites habituais da entrega a violência e criminalidade.
Em geral, a Teologia Cristã tem um desafio! De não manter uma relação com esse tipo de política institucional. Que cria um ‘Novo Dogma’ para a igreja, o mercado da fé. Mas esta é a situação do evangelho na Brasil, particularmente na periferia. Aqueles que vão à igreja a procura do “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Estão sendo surpreendidos pela mensagem para entregar seu dinheiro, se não os gafanhotos: cortador, migrador, devorador e destruidor irão roubar dos fiéis, até seu último centavo.
Então, qual o papel da igreja nesta sociedade? Qual a proposta do seguimento de Jesus? A práxis cristã é o caminho de libertação desta sociedade/igreja/pessoa hoje!
Qual o papel da igreja nesta sociedade? A razão de ser igreja é praticar a justiça (Mt 6,33). A igreja é lugar de justiça social! A impunidade precisa ser banida da comunidade cristã. Chega de ameaças espirituais a fim de angariar dinheiro. Aqueles que liderem estão engordando com a lã das ovelhas. Eles aproveitando-se da fé ingênua de boa parte dos cristãos. Com slogans do tipo: gluta dos milagres, culto de despacho espiritual, culto das migalhas entre outros. Só pra se enriquecerem. Mas para o consolo dos fiéis restam as seguintes palavras ditas por Jesus: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. [7] Eles já estão dizendo! E Deus não está conhecendo. Pois, muitos, são visto pela crítica como malandros evangélicos.
Qual a proposta do seguimento de Jesus? É a de denunciar! Aí dos ricos! As suas riquezas pereceram. Deus não terá misericórdia de quem não teve misericórdia. Aí dos lideres que se enriqueceram a custa do pobre trabalhador. Os lençóis brancos das ofertas estão manchados do suor dos oprimidos. As salvas denunciam a ralação diária do pobre que não teve retorno. As ofertas e os dízimos não chegaram ao trono de Deus, pois Ele está prestes a derramar seu furor sobre o opressor com nome de sacerdote. A grande babilônia está ruindo.
Quem sabe este é o momento da revolução Jacobina. Com um ar meio socialista, mas de cunho cristão. Disposto a dar a vida pelo amigo. Morrer. Não! Dar a vida. Sim! Gastar a existência pelo outro. Dedicar os anos que se desfazem com o tempo. Em prol de uma vida mais justa. Aonde vale a pena ver as pessoas não sendo ludibriadas por esta sociedade/igreja. Falando e fazendo aquilo que Jesus fez com os discípulos... Amando até o fim... [8]
CONCLUSÃO
Conclui-se que as exigências expostas na carta geral de Tiago a luz dos acontecimentos contemporâneos, os mega-empresario-evangelicos tem muito a justificar em relação a sua conduta cristã. Manuel Fraijó (1999, p. 253) afirma: “Para Jesus, enquanto houver pobres, a riqueza carecerá de justificação”. [9] Nestas condições, os causadores da pobreza deverão se explicar. Pois Jesus sempre esteve ao lado dos pobres e marginalizados da palestina. Ele nunca explorou a fé de ninguém, e muito menos, se viu aliado a uma política institucional injusta que oprime os desafortunados. Portanto, Tiago: e a importância da práxis do Evangelho – ainda hoje bate como um sino clerical na consciência dos mega-empresário-evangélicos do Brasil. SOLUS CHRISTUS.
BIBLIOGRAFIA
Bíblia. Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Disponível em: http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=65. Acesso em: 23mar2011.
Bíblia. Português. Edição Pastoral da Bíblia. Tradução por Ivo Storniolo et. al. São Paulo: Paulus Editora, 1991.
Roteiros para reflexão I. História do Povo de Deus. 9ª ed. São Leopoldo/RS – São Paulo/SP: CEBI & Paulus, 2008.
Rubens, David. O ministério de Jesus como paradigma para a práxis-social cristã: Uma análise contextualizada sobre a igreja na contemporaneidade e a sua missão em relação aos pobres. Pindamonhangaba: Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, 2007.
FRAIJÓ, Manuel. Fragmentos de esperança. São Paulo: Paulinas, 1999.
Taylor, William Carey. Dicionário do Novo Testamento grego. 9ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991.
[1] Rubens, David. O ministério de Jesus como paradigma para a práxis-social cristã: Uma análise contextualizada sobre a igreja na contemporaneidade e a sua missão em relação aos pobres. Pindamonhangaba: Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, 2007. cap. 2, p. 6.
[2] Taylor, William Carey. Dicionário do Novo Testamento grego. 9ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991. p. 143.
[3] Bíblia. Português. Edição Pastoral da Bíblia. Tradução por Ivo Storniolo et. al. São Paulo: Paulus Editora, 1991. p.1492.
[4] Roteiros para reflexão I. História do Povo de Deus. 9ª ed. São Leopoldo/RS – São Paulo/SP: CEBI & Paulus, 2008. p. 14.
[5] Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Disponível em: http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=65. Acesso em: 23mar2011.
[6] Ibidem.
[7]Cf. Mt 7: 22,23.
[8] Cf. Jo 13: 1.
[9] FRAIJÓ, Manuel. Fragmentos de esperança. São Paulo: Paulinas, 1999. p. 253.
[2] Taylor, William Carey. Dicionário do Novo Testamento grego. 9ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991. p. 143.
[3] Bíblia. Português. Edição Pastoral da Bíblia. Tradução por Ivo Storniolo et. al. São Paulo: Paulus Editora, 1991. p.1492.
[4] Roteiros para reflexão I. História do Povo de Deus. 9ª ed. São Leopoldo/RS – São Paulo/SP: CEBI & Paulus, 2008. p. 14.
[5] Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Disponível em: http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=65. Acesso em: 23mar2011.
[6] Ibidem.
[7]Cf. Mt 7: 22,23.
[8] Cf. Jo 13: 1.
[9] FRAIJÓ, Manuel. Fragmentos de esperança. São Paulo: Paulinas, 1999. p. 253.
23 de março de 2011
PROFETA E PROFECIA: uma conceituação terminológica de ambos os termos
por
Fernando de Oliveira
INTRODUÇÃO
Profeta e Profecia: uma conceituação terminológica de ambos os termos. O estudo está estruturado em três perspectivas: profeta, profecia e profecia primária. E, conseguintemente, orientada pelas leituras dos seguintes teólogos: Martin Rösel, Claus Westermann, Rolf Rendtorff, José Luis Sicre, Milton Schwantes, Jesús María Asurmendi, Santiago Ausin, Cássio Murilo Dias da Silva, David Rubens entre outros.
Em primeiro lugar, se analisará o termo ‘profeta’ em seu grupo social de origem. Que em contrapartida, abarca um significado correlato a alguém que fala em nome de uma divindade, para um determinado fim.
Em segundo lugar, na ótica de Westermann, Sicre, Silva apurar-se-á aquilo que diferencia um profeta bíblico dos adivinhadores da cultura helenística e do mundo antigo; na qual a profecia hebraica tem sua peculiaridade e singularidade em relação aos oráculos gregos e as adivinhações do mundo antigo.
Em terceiro lugar, será abordada a profecia no seu sentido primário em detrimento do que comumente se diz acerca do cumprimento das profecias; visando não desvalorizar a mensagem profética do AT como ‘palavra criadora’. [1]
Logo, profeta e profecia têm como prioridade a relação recíproca entre a Divindade e o profeta no exercício da legitimação da mensagem profética que, segundo Milton Schwantes (2010, contracapa) confere o seguinte sentido “a profecia é, por assim dizer, quem constitui a História de Israel”. [2]
Significado DO TERMO PROFETA
Então, confira três definições relacionadas ao termo ‘profeta’ dos respectivos autores e exegetas do AT – (Rösel, 2009, p. 90), (Silva, 2010, p. 6) e (Asurmendi, 2007, p. 9):
O termo profeta deriva-se do termo grego profetes, que significa literalmente “prenunciador”. Mas esse significado não abarca a totalidade do fenômeno da profecia veterotestamentária, pois os profetas não prenunciam simplesmente acontecimento futuro. Ao anunciarem a palavra de Deus, eles cuidam para que o evento anunciado nessa palavra também aconteça. Poderíamos chamá-los, portanto, de “pro-vocadores”. [3]
A palavra profeta vem do grego pro-fetés e significa “alguém que fala no lugar do outro”, o porta-voz. Neste sentido, vários personagens são eventualmente chamados de profetas ao longo da Bíblia: Abraão, Moisés, Davi. Todavia, o termo é mais propriamente aplicado a homens e mulheres que assumem o papel de mediadores entre Deus e a raça humana. [4]
Embora o termo grego prophétes não coincida necessariamente, em sua etimologia, com os termos usados em hebraico e em outros línguas semíticas para descrever a mesma realidade, deve-se reconhecer que o seu significado corresponde à função principal da personagem. O profeta é a pessoa que “fala na frente” do outro, da parte de um terceiro da divindade. [5]
Podemos ver que ambos os autores corroboram com uma mesma perspectiva referente ao termo profeta.
Portanto, os profetas eram ‘posta voz’ da mensagem divina com o intuito de manterem estritas relações com Aquele que ‘vela pela sua palavra para se cumprir’ (Jr 1.12). David Rubens (2010, p. 2) afirma que “os profetas despertam a esperança dos seus ouvintes entre oráculos de condenação e salvação, proclamados na perspectiva dos acontecimentos históricos que eles são chamados a viver”. [6]
PROFECIA
A saber, a profecia constitui uma porção impar das escrituras, dessa forma, o fenômeno da profecia é o lugar aonde Yhwh transmitiu seus juízos e promessas. Cássio Murilo Dias da Silva doutor em Ciências Bíblicas afirma que:
O fenômeno da profecia não é exclusivo de Israel e do mundo antigo, tal como hoje, é confundido com a capacidade de enxergar o futuro e prever os acontecimentos. Mas esta não é a única nem a principal atividade profética. A nomenclatura na Bíblia Hebraica é fluida e deixa entrever uma evolução no conceito do que significa agir como mediador: vidente – visionário – homem de Deus – profeta. Mas ainda, assinala também uma evolução dos meios de comunicação: visões – êxtase, possessão, transe – palavras, oráculos.
Os profetas bíblicos, portanto, não devem ser confundidos como adivinhadores do futuro. Eles não enxergam o futuro, mas sim o presente: observando as estruturas sociais e o comportamento individual das pessoas, o profeta emite um juízo, se aquela sociedade/pessoa caminha de acordo com a Lei de Yhwh ou não. Em caso afirmativo, aquela sociedade/pessoa pode ter esperança; em caso negativo... boa coisa não vai dar. [7]
Por outro lado, segundo José Luis Sicre (2007, p, 17-28) o profeta está parcialmente relacionado aos fenômenos de adivinhações do mundo antigo. Ele salienta que etimologicamente os profetas bíblicos não são somente aqueles que prevêem o futuro. Haja vista que, p. ex., nos oráculos gregos a expressão transmite a ideia de que os deuses concedem aos homens o que está para acontecer (futuro). [8] Portanto, Sicre instituiu as seguintes evoluções no conteúdo profético dos profetas que os diferencia dos demais. Leiamos:
De uma palavra procurada pela pessoa a uma palavra enviada por Deus.
Do descobrimento de um enigma ao descobrimento de uma missão.
Da busca de segurança pessoal ao choque com uma responsabilidade.
Do interesse pessoal a responsabilidade em face dos outros. [9]
A propósito, o exegeta alemão Claus Westermann (1987, p. 111-114) compreende que a profecia obedece, no mínimo, três características:
1 – A repreensão política.
2 – A acusação de abusos sociais.
3 – Animadversões no campo religioso.[10]
Em primeiro lugar, os profetas acusam os reis ou chefes. Isso pode ser lido nas profecias de Amós, Miquéias e Isaías. P. ex., Is 1. 21-31 – repreende os chefes por sua arrogância. Em resumo, a relação entre monarca e profeta, ainda que, começasse bem terminava em duras repreensões pelo profeta.
Em segundo lugar, os abusos e opressão contra os pobres podem ser evidenciados ao longo da literatura profética. Como se lê no livro de Miquéias. Cf. Mq 2. 1-5 – porquanto, a terra deve ser de todos. Logo, os profetas denunciam a vida farta de uns em detrimento da miséria de outros.
Em terceiro lugar, os profetas, também, censuravam a idolatria do povo de Israel, pois, o culto a Yhwh devia ser o centro do coração do povo. Em conseqüência disso, vinham as formalidades religiosas, duramente, criticadas nas profecias, isto é, hipocrisia. [11] E, também, a luta contra falsos profetas (p. ex. Jeremias e Hananias [12] – Jr 28).
Enfim, cabia aos profetas verdadeiros denunciarem todos os desvios da Lei de Yhwh.
PROFECIA PRIMÁRIA
A profecia primária constitui-se em seu sentido direto – representando o momento propício do profeta. No entanto, quando se lê o NT sabe-se que a maioria das citações fornecidas do AT foi retirada da LXX, e isso é um agravante. Nestas condições, Schwantes afirma que tal procedimento acabaria por se distanciar de sua origem, pois quase se esquece de onde a profecia veio. P. ex. Is 7. 14-17 – Schwantes (2010, p. 154) diz que:
O nascimento e o crescimento desse menino-símbolo têm como consequecia à ruína dos invasores (Síria e Israel) e do próprio rei de Judá. O castigo não será instituído por um contra poder, igualmente violento e agressivo. Essa ruína será provida por um menino que nasce, cresce e vai aprendendo a discernir entre o bem e o mal.
Isaías confia no futuro da fraqueza, e desconfia até mesmo do presente da valentia. Profetiza sobre Emanel (“Conosco-está-Deus) e desautoriza Acaz e seus generais. [13]
Portanto, se existe uma relação recíproca entre AT e NT não é, necessariamente na profecia, mas segundo o teólogo alemão Rolf Rendtorff (2006, p. 46) essa relação se dá da seguinte forma “Antigo e o Novo Testamentos, como testemunho da revelação histórica de Deus, formam uma união indissolúvel”. [14]
CONCLUSÃO
Conclui-se que quando se faz uma leitura rigorosa dos livros proféticos descobri-se o quanto a sua literatura significa para a fé em Israel. Até porque os profetas falaram em nome de Deus para juízo ou salvação daquela sociedade/pessoa que quisesse obedecer ao oráculo divino. Os profetas eram diferentes dos adivinhadores do mundo antigo. E suas profecias têm total respaldo para o oficio profético rudimentar. Como porta voz de Yhwh o profeta e sua profecia desempenham koh ‘amar YHWH, assim fala/falou YHWH – de modo que ele é o arauto da revelação de Deus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Asurmendi, Jesús María. Da proclamação ao livro aberto. In: SICRE, José Luis. [organizador]. Os profetas. São Paulo: Paulinas, 2007. pp. 7-16.
Ausin, Santiago. Os profetas e a história. In: SICRE, José Luis. [organizador]. Os profetas. São Paulo: Paulinas, 2007. pp. 61-80.
Bíblia. Português. Edição Pastoral da Bíblia. Tradução por Ivo Storniolo et. al. Paulus Editora, 1991.
RENDTORFF, Rolf. A formação do Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2006.
RÖSEL, Martin. Panorama do Antigo Testamento: história, contexto e teologia. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2009.
RUBENS, David. Profetas: Homens de Yahweh; Homens do povo. Artigo preparado para aula de Profetismo no Seminário Teológico Vale Histórico em Taubaté/SP – 18set2010.
SCHWANTES, Milton. Breve história de Israel. São Leopoldo: Oikos, 2010.
SCHWANTES, Milton. A criança como sinal. In: Fassoni, Klênia; Dias, Lissânder; Pereira, Welinton. [organizadores]. Uma criança os guiará: por uma teologia da crianaça. Viçosa, MG: Ultimato, 2010. pp. 147-158.
Sicre, José Luis. Adivinhação e profecia. In: SICRE, José Luis. [organizador]. Os profetas. São Paulo: Paulinas, 2007. pp. 17-28.
Silva, Cássio Murilo Dias da. Aprenda a ler o Antigo Testamento. Ministrado no auditório das Edições Loyola. 26jun2010. Disponível em: http://airtonjo.blog.com/aprenda-a-ler-o-antigo-testamento/. Acesso em: 19out2010.
WESTERMANN, Claus. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1987.
[1] Profetas – “eles fincam pé na força da Palavra de Deus como criadora da história (Is 55.10-15)”. Cf. AUSIN, Os profetas e a história, p. 67.
[2] Schwantes, Breve História de Israel, contracapa.
[3] Cf. Rösel, Panorama do Antigo Testamento: História – Contexto – Teologia, p. 90.
[4] Cf. Silva, Aprenda a ler o Antigo Testamento, p. 6.
[7] Cf. Silva, op. Cit., p. 6,7.
[8] Cf. SICRE, Adivinhação e profecia, p. 17-28.
[9] Ibidem, p. 28.
[10] Cf. WESTERMANN, Teologia do Antigo Testamento, p. 111 – 114.
[11] Cf. Is 43. 22-28.
[12] Hananias é um falso profeta que recorre à demagogia, procurando dizer o que os ouvintes gostam de ouvir e nãoaquilo que povo precisa ouvir. Cf. Bíblia Sagrada Edição Pastoral, Jeremias, p. 991.
[13] SCHWANTES, A criança como sinal, p. 154.
[14] RENDTORFF, A formação do Antigo Testamento, p. 43.
[8] Cf. SICRE, Adivinhação e profecia, p. 17-28.
[9] Ibidem, p. 28.
[10] Cf. WESTERMANN, Teologia do Antigo Testamento, p. 111 – 114.
[11] Cf. Is 43. 22-28.
[12] Hananias é um falso profeta que recorre à demagogia, procurando dizer o que os ouvintes gostam de ouvir e nãoaquilo que povo precisa ouvir. Cf. Bíblia Sagrada Edição Pastoral, Jeremias, p. 991.
[13] SCHWANTES, A criança como sinal, p. 154.
[14] RENDTORFF, A formação do Antigo Testamento, p. 43.
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